No mesmo barco!
Depois do boom, crédito imobiliário também não resiste à crise, deixando muitas dúvidas sobre as estratégias para 2016 30/01/2016 12:05
A crise econômica está complicando a vida de todos. No mercado de crédito não tem sido diferente. Todas as modalidades sofreram com os efeitos do mau momento que o País vem atravessando, seja em menor demanda ou em restrição na hora de conceder. O crédito imobiliário também não escapou ileso. Depois do boom apresentado nos últimos anos, ele deverá registrar um fraco desempenho em 2016. O volume de crédito concedido deve ficar em patamares baixos. O economista da Boa Vista SCPC, Flavio Calife, acredita que a modalidade deve sofrer uma desaceleração significativa "podendo atingir cerca de 12%".

O cenário deve acompanhar o momento de recessão na economia, seguindo o movimento registrado já no último ano. "O setor imobiliário sofreu uma redução muito grande de crédito, em 2014 o volume foi da ordem de R$ 110 bilhões e, em 2015 da ordem de R$ 75 bilhões", afirma Roberto Vertamatti, diretor de economia da Anefac. O especialista ainda afirma que em 2016, o volume de crédito deve ser parecido com o do ano anterior. "Minha expectativa é que devemos repetir o volume do ano passado, algo como R$ 70 bilhões", diz Vertamatti.

Entre os fatores que levam o crédito imobiliário a sofrer reduções, a situação política e econômica do país se destaca. "Quando a economia e a política estão bem, isso se reflete na geração de empregos na construção civil e na movimentação de toda a cadeia imobiliária", afirma José Augusto Viana Neto, presidente do Creci-Sp. A economista chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, concorda que o principal fator para a redução do crédito imobiliário este ano seja a conjuntura econômica, pontuando também as altas taxas de juros como uma das razões para o setor enfraquecido. "Mesmo que o crédito imobiliário tenha uma das menores taxas de juros, quando comparado a outros tipos de crédito, ainda assim com o aumento da Selic e a manutenção, agora, dela em um patamar alto, qualquer tipo de crédito fica caro", afirma Marcela.

Outro ponto que deve impactar é o fato do setor de construção civil concentrar seus esforços em construções que já estão em andamento ou prontas. "O volume de crédito deve diminuir substancialmente em relação a 2015, pois o mercado incorporador tende a se concentrar mais na entrega dos lançamentos anteriores", afirma Saul Sabbá, presidente do Banco Máxima.

Dado esse cenário aparentemente negativo para o crédito imobiliário, o conselho para as instituições concedentes é ter mais cuidado. "A saída do mercado é tentar dar o crédito para o melhor tipo de cliente possível", afirma Marcela, que diz que exigência de mais garantias e pedido de entradas maiores será a forma correta de trabalhar com crédito este ano. Mas, além do cuidado, é preciso manter a confiança. "É preciso ter cautela, ao mesmo tempo não podemos esmorecer. Confiança é fundamental, pois imóvel sempre foi um investimento seguro", aconselha Viana Neto.

VISÃO POSITIVA

Mesmo com o momento de restrição de crédito, alguns são mais otimistas. Como é o caso do vice-presidente de habitação da Caixa, Nelson Antônio de Souza. "Acreditamos que, após termos, em 2015, um período de ajustes tanto por parte do setor financeiro quanto da indústria da construção civil, em 2016 se dê início a um movimento de reaquecimento gradativo do setor habitacional", responde o executivo.

Como deverá ficar o mercado de crédito imobiliário este ano? Deixe a sua opinião na enquete do Portal Crédito e Cobrança.

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